ANDI - Agência de Notícias dos Direitos da Infância

http://www.andi.org.br/

Saiba tudo sobre a situação da criança no mundo. Clik aqui para traduzir o Blog. Obrigado.

Clik para ouvir !!!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

GENTE, HOJE É O DIA NACIONAL DO VOLUNTÁRIOS: 28 DE AGOSTO

QUEREMOS AGRADECER À TODOS QUE COM PEQUENAS AÇÕES CONTRIBUEM PARA MUDANÇAS SIGNIFICATIVAS NA VIDA DE TODOS NÓS.
É NO VOLUNTÁRIO QUE ESTÁ A VERDADEIRA ATITUDE DO AMOR.

Ed

Ps. Gostaria imensamente que vocês veja um manual para capcitação de voluntários e assim sejam enriquecidos de muitas informações úteis para realizar este ato maravilhoso.

http://api.ning.com/files/KyHxacZGqshG-ulG2nmF-iPLeYr*2Xzl5DrQKwYnUprALvXRHXXrlo0pptfePdtGQ766-a7a1vtOik8N1Az4*J92Br5YbHdt/ManualparaCapacitacaoInicialdoVoluntario.pdf

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A força do E.C.A.( Estatuto da Criança e do Adolescente): Os pequenos Biancos

Resolvi chamá-la assim, porque ela nunca pôde sentir o calor da luz solar por muito tempo em seu corpo.
Eu poderia falar em sua pele, mas infelizmente, Bianca nasceu sem a devida proteção para seu corpo, ou seja, Bianca não tem pele.

Quando a conheci, ela morava em um barraco de favela que ficava na zona leste de São Paulo.

Um amigo me falou e aí resolvi conhecê-la.

Sua mãe costumava colocar pó de café em suas feridas porque dizia que assim as feridas iriam secar mais rapidamente.

A pequena Bianca tinha na época quatro anos e seu irmãozinho, Bianco, um aninho.

Bianca e Bianco viviam no mesmo barraco e sua mãe tratava os dois da mesma forma.

Tudo era dividido igualmente, até a quantidade de pó de café era igual para os dois.

Sua irmã mais velha tinha 13 anos, se não me falha a memória, mas seu nome não era Bianca e sim Girassol, pois os raios quentes do sol nunca a incomodava.

Seu corpinho era protegido por uma linda pele que brilhava e refletia os raios da grande estrela.

Sua mãe não entendia porque a mais velha era normal e seus dois filhos menores não.

Ela pensava que eles haviam nascido com uma espécie de sarna.

Ao presenciar o sofrimento dos pequenos não tive dúvida, procurei o Hospital das Clínicas através de uma tia minha que trabalhava lá como voluntária.

O hospital prontamente marcou uma consulta e para o transporte enviou uma ambulância.

Foi uma luta para colocar os pequenos Biancos acomodados no terrível carro branco.

- Coisa que balança e doe tudo, diziam eles durante o caminho da favela ao hospital.

Exame de lá, exame de cá e finalmente chegaram ao diagnóstico de uma doença chamada Epidermolise Bolhosa.

- Epideme o que? O que é isso? Perguntou sua mãe apavorada, só de ouvir falar no tal nome.

Ela só pensou em pegar seus filhos e levá-los de volta ao seu barraco e nunca mais gostaria de ouvir falar daquele nome estranho e não ver mais seus filhos sofrendo daquela forma ao serem transportados até o hospital.

Porém a assistente social a informou sobre a existência do E.C.A. e logo a mãe pensou se tratar de mais um nome de doença.

Ela disse que seus filhos encontravam-se protegidos por uma lei que garantia o atendimento e cuidados necessários aos pequenos, porque eles eram crianças.

Se ela não permitisse que seus filhos fossem cuidados, caracterizaria negligência por parte dela.

Mais calma, concordou com o atendimento e foi informada dos devidos cuidados que deveria ter em sua casa.

Tratamos logo de arrumar outro imóvel para que tivesse melhores condições de higiene e moradia.

Perguntamos às crianças onde elas gostariam de morar e prontamente disseram que gostariam de uma casa que tivesse escada.

Escada?

Perguntamos admirados!

E assim foi, conseguimos uma casa na Penha, com uma grande escadaria.

Os dois Biancos ficavam cada um de um lado da cama cobertos com um lençolzinho branco e em meio às dores achavam um jeito de sorrirem.

Quando Bianco completou nove anos, seu estado era precário e a doença já havia tomado conta de todo o corpo de tal forma que as sessões de câmera hiperbárica já não mais ajudavam.

Bianco foi internado e em uma de minhas visitas ao hospital infantil que ficava ao lado do Hospital das Clínicas, ele olhando para mim abriu um largo sorriso e disse:

- Tio Ed, não chore, porque o lugar para onde vou é muito melhor que este aqui, lá eu não vou sentir dor e com muito esforço se apoiou na escadinha e deitou-se sobre a maca.

Ficou ali, olhando fixo para o teto do hospital, como se olhasse além daquelas paredes de concreto.

Não consegui conter-me e rapidamente saí dali e desabei em prantos pelos corredores ganhando logo as ruas.

Quinze dias depois, recebi um telefonema.

Era sua mãe informando-me do falecimento do pequeno Bianco.

No momento lembro-me de fazer como ele, olhei para o teto da sala do apartamento fixamente na esperança de vê-lo brincando com Deus, Jesus e os Anjos.

Mas e a Bianca, como ela deveria estar se sentindo?

Qual não foi minha surpresa quando ao visitá-la, encontrava-se bem e disse que seu irmão havia dito a ela, a mesma coisa que disse para mim alguns dias antes de ele fazer sua última e dolorosa viagem até o hospital.

Já passaram muitos anos e Bianca continua vencendo todas as barreiras das estatísticas e vive deitada, coberta com um lençolzinho branco entre dois aquecedores numa outra casinha, sem escadas, mas no mesmo bairro da Penha.

Hoje ela tem 20 anos e se não fosse a força do E.C.A. talvez ela estivesse brincando com seu pequeno irmãozinho, Bianco, lá em cima no céu.

Às vezes me pego pensando, bem que poderia existir um E.C.A.A. (Estatuto da Criança e do Adolescente para Adulto)...

Ed




P.S. - Se você, leitor, quizer ajudar, faça sua doação clicando no botão de doação do Pag seguro que está no canto esquerdo deste blog ou compre um tubo de pomada "Fibrinase com Cloranfenicol", pois ela precisa usar 7 tubos por dia para ajudá-la a não sentir dor e ligue para sua mãe Dona Aureni tef.(011) 2501-9021 para ela buscar a pomada, obrigado.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

ATENÇÃO SENHORES PAIS: Morte de animais leva SP a suspender vacinação contra raiva

SÃO PAULO - O estado de São Paulo decidiu recomendar, por precaução, a todos os municípios paulistas que suspendam a campanha de vacinação de cães e gatos contra a raiva animal. A Secretaria de Estado da Saúde informou que seis animais que tomaram a vacina morreram.

De acordo com a secretaria de Saúde, o número de reações adversas dos animais notificadas à Coordenadoria de Controle de Doenças da pasta está acima do observado em anos anteriores. Por isso, na avaliação dos técnicos da Secretaria, a vacinação poderia colocar em risco a vida dos animais imunizados.

O maior número de notificações adversas aconteceu nos municípios de São Paulo e Guarulhos. Nessas duas cidades foram registradas 7 casos de choque anafilático em animais vacinados, dos quais seis morreram, sendo quatro gatos e dois cães.

Na capital paulista, das 567 reações notificadas entre os dias 16 e 17 de agosto, 38% são consideradas eventos graves, como prostração, anorexia, dificuldade respiratória, convulsões e hemorragias. Nesse período, foram imunizados 121.691 animais em toda a cidade. Em Guarulhos, que já suspendeu a vacinação, houve 40 reações adversas entre 42.860 animais vacinados entre 9 e 13 de agosto.

A maior parte das reações tem sido observada em gatos e nos cães de pequeno porte (em torno de 6,5 quilos de peso). Somente na cidade de São Paulo, 85,3% das reações ocorreram com gatos vacinados nos dias 16 e 17.

Também foram constatados quatro óbitos, sendo dois de cães e dois de gatos, no interior de São Paulo. Nem todos os municípios paulistas iniciaram a campanha de imunização.

O Instituto Pasteur, órgão da Secretaria, irá investigar os óbitos e as reações graves. A Secretaria informou ao Ministério da Saúde, responsável pela compra e distribuição das vacinas aos Estados, sobre os problemas surgidos, e aguarda orientações.

http://oglobo.globo.com/cidades/sp/mat/2010/08/19/morte-de-animais-leva-sp-suspender-vacinacao-contra-raiva-917434136.asp

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Estresse na infância pode encurtar a vida em até 15 anos, diz estudo

Crianças que enfrentam dificuldades na infância, incluindo negligência ou abuso dos pais, parecem ter menor expectativa de vida do que as outras, segundo recente estudo da Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos. De acordo com os autores, crianças que vivem múltiplos traumas psicológicos, como a perda dos pais e a violência domestica, podem desenvolver ansiedade e depressão, que encurtariam sua vida em até 15 anos.
Apresentados neste mês na Convenção da Associação Americana de Psicologia, os resultados indicaram que as pessoas que haviam sofrido adversidades na infância apresentavam um maior encurtamento dos telômeros - extremidade dos cromossomos que reduzem com o envelhecimento - e maiores níveis de marcadores inflamatórios no sangue. E isso ocorria independentemente da idade, gênero, índice de massa corporal, níveis de exercícios e qualidade do sono.

“Nossa última pesquisa mostra que adversidades na infância lançam uma longa sombra sobre a saúde de alguém e pode levar à inflamação e ao envelhecimento celular muito mais cedo do que para aqueles que não experimentam esses eventos”, destacou a pesquisadora Janice Kiecolt-Glaser. “A inflamação, com o tempo, pode levar à doença cardiovascular, osteoporose, artrite, diabetes tipo 2 e certos tipos de câncer”, concluiu.

Escrito por Leandro Perché

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Dia Internacional da Juventude

Hoje, no Dia Internacional da Juventude, e em todos os dias, pessoas jovens estão em busca de oportunidades para realizar seus sonhos. São mais de 1,8 bilhão de pessoas entre 10 e 24 anos com conhecimento, aptidões e oportunidades de desenvolver o mundo ao seu mais pleno potencial.

Assembléia Geral lança Ano Internacional da Juventude

O Ano Internacional da Juventude está sendo lançado hoje na Assembléia Geral da ONU com um eclético evento que inclui palestras, apresentações musicais, vídeos e poesia.

História de atleta: ultramaratona em prol da Casa Lar Solid Brasil(São Paulo)


Atleta fará ultramaratona para arrecadar fundos para uma instituição que acolhe crianças e adolescentes vítimas de maus tratos, abandono e violência em SP, "vendendo" cada km da prova para quem quiser ajudar, como é comum nos EUA

Cada km da ultramaratona tem cota de 10 reais. Angelo doará todo o valor arrecadado a instituição.

Corredor há cinco anos, o paulista Angelo da Silva, de 33 anos, criou um grande desafio para sua vida de atleta neste ano. Com muitas corridas de 10 km e 21 km, além de várias maratonas, no currículo, Angelo decidiu encarar uma ultramaratona para celebrar sua 100ª prova. Mas há também um objetivo mais nobre na decisão - arrecadar fundos para a casa Lar Solid Brasil em São Paulo.

Para conseguir os recursos que deseja para a casa, Angelo estruturou um projeto de patrocínio individual que é comum nos Estados Unidos, no qual pessoas físicas ou mesmo jurídicas doam recursos para um corredor que vai, ao final, destinar o valor arrecado para uma entidade previamente definida.

O projeto recebeu o nome "Correndo para Doar" http://www.desafio.angelo.com.br/  e o dinheiro arrecadado será destinado ao Lar Solid Rock http://www.srcbrasil.blogspot.com/, na Vila Guilherme, que cuida de muitas de crianças, e tem por objetivo promover a reintegração familiar dos pequeninos assistidos. O Lar também acolhe crianças e adolescentes abandonados ou em situação de risco.

"Eu me inspirei no livro do Dean Karnazes e também no modelo de patrocínio bastante usado nos Estados Unidos para conseguir recursos para entidades assistenciais", diz Angelo, que é analista de sistema. A meta é arrecadar 10 mil reais para a construção de uma área de lazer para as crianças no quintal da sede do Lar Solid.

A ultramaratona escolhida por Angelo é a segunda etapa da prova Bertioga-Maresias, no dia 23 de outubro. Angelo mapeou o trajeto de forma que quem deseja contribuir pode escolher qual quilômetro quer patrocinar. Cada quilômetro tem uma cota mínima de 10 reais. O site do projeto mostra cada quilômetro da prova para que os contribuintes possam escolher.

Até o momento, Angelo arrecadou pouco mais de R$ 3 mil, grande parte do valor doado por amigos e familiares. De acordo com o corredor, o dinheiro arrecadado será doado 100% ao Orfanato.

Angelo vai percorrer os 75 km da prova sozinho. Para conseguir completar o duro percurso da prova, que tem cerca de 70% do seu trajeto pela orla, ele treina em média 15 km por dia, às vezes dois períodos no dia, sempre seguindo as orientações de sua assessoria esportiva, a Cronos Assessoria. "Este é um desafio pessoal", completa.


A corrida entrou na vida de Angelo como uma forma de aliviar o estresse e acabar com o sedentarismo. "Cheguei a pesar 80 quilos, fiquei uns quatro anos sedentário e aí fiz minha primeira corrida em 2005. Tomei gosto e depois de uns seis meses arrumei uma assessoria esportiva, fiz consulta com nutricionista e não parei mais na corrida", conta Angelo, cuja última prova foi a Maratona de Porto Alegre.

As contribuições e mais informações sobre Angelo e seu projeto podem ser feitas no site http://www.desafio.angelo.com.br/ .

http://ativo.uol.com.br/Esportes/Pages/AtletafaraultramaratonaemproldeOrfanato.aspx

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Coreano-americano de 13 anos quer propor "floresta da paz" entre Coreias

DA ASSOCIATED PRESS
Um sul-coreano-americano de 13 anos viajaria ontem à reclusa Coreia do Norte para tentar um encontro com seu líder, Kim Jong-il, e sugerir-lhe construir uma "floresta da paz para crianças" na zona desmilitarizada entre as duas Coreias, que vivem um momento político tenso.

Jonathan Lee, nascido na Coreia do Sul mas criado nos EUA, foi de Ridgeland, Mississippi, a Pequim, de onde pretendia voar ontem com seus pais para Pyongyang.

Jonathan disse que quer entregar uma carta a Kim propondo a criação de uma floresta com "árvores frutíferas e castanheiras onde as crianças possam brincar" na zona desmilitarizada -uma das áreas mais fortemente protegidas do mundo e que desde 1953 separa a península Coreana. Há tropas dos dois lados da zona, bem como minas terrestres.

Sua mãe, Melissa, admite que a ideia "parece loucura". "Supostamente é seguro, mas estou um pouco nervoso", disse Jonathan.

A visita ocorre em meio a tensões entre as Coreias -tecnicamente ainda em guerra, apesar de manterem um cessar-fogo. O Sul acusa o norte de ter afundado um navio seu em março -o que o Norte nega- e de capturar um pesqueiro sul-coreano.

Os EUA não mantêm relações diplomáticas com o Norte, alvo de sanções da ONU por seu programa nuclear.

A família Lee disse que se inscreveu como "delegação especial" para obter visto ao país, com ajuda do embaixador norte-coreano na ONU.

Caminhoneiro é preso em flagrante no Rio por abuso sexual de menores (Brasil)

O motorista confessou que manteve relações sexuais com pelo menos duas
das três meninas que estavam com ele.


Ontem à noite, um caminhoneiro foi preso no Rio de Janeiro. Ele tinha trazido três

crianças da Bahia.

Luiz José da Silva, de 36 anos, confessou que manteve relações sexuais

com pelo menos duas das três meninas que estavam com ele. A polícia

chegou ao caminhoneiro por denúncias anônimas. Um homem estranhou a

presença de três meninas em um caminhão parado e chamou a polícia.

A princípio, as menores disseram que eram sobrinhas do caminhoneiro,

mas a polícia desconfiou. Na delegacia, todos confessaram. As meninas

disseram que duas mantiveram relações sexuais com o homem. O

caminhoneiro confirmou e disse ainda que, no Rio de Janeiro, ligou

para algumas pessoas oferecendo as meninas para programas. Cada

programa custaria R$ 50,00.

As meninas disseram à polícia que entraram no caminhão porque o

motorista disse que daria carona para uma cidade na Bahia. No meio do

caminho, ele não parou e seguiu para o Rio de Janeiro. Quando elas

pediram para voltar, ele ameaçou deixá-las em qualquer lugar, caso

elas não mantivessem relações sexuais com ele.

O motorista foi preso em flagrante e vai responder por sequestro,

cárcere privado, estupro e favorecimento a prostituição. Pode pegar 30

anos de cadeia.

As meninas foram encaminhadas a um abrigo e esperam a família.

fonte:

 http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2010/08/caminhoneiro-e-preso-em-flagrante-no-rio-por-abuso-sexual-de-menores.html

sds,

Leide Manuela Santos

Winrock Internacional do Brasil

domingo, 8 de agosto de 2010

Os desafios para garantir o direito de meninos e meninas se manifestarem perante a Justiça

A necessidade de investigar e julgar crimes sexuais contra crianças e adolescentes implica, inúmeras vezes, no delicado processo de tomada do depoimento das vítimas. Antes de mais nada, é preciso entender que a participação de meninos e meninas nesses procedimentos deve buscar provas confiáveis, mas sempre evitando que os relatos das experiências venham a retraumatizá-los.

Como prevê o Artigo 12 da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, garotos e garotas têm o direito de se manifestar perante a Justiça. A efetivação desse direito, no entanto, demanda certos cuidados. “Temos que entender o estágio de desenvolvimento da criança: o que ela sente, como ela fala, o tempo que ela precisa para se expressar e como vai ser questionada. De outra forma, ela não terá seu direito atendido”, explica o Juiz da 2ª Vara da Infância e da Juventude de Porto Alegre, José Antônio Daltoé Cezar, que possui diversos trabalhos publicados sobre o assunto.

Além disso, a promoção de condições especiais para a tomada de depoimento é também uma forma de tornar esse momento menos traumático. “Temos certeza do direito da criança falar, mas também é seu direito ser protegida durante a fala. No caso do Brasil, nós reforçamos isso, porque somos signatários de uma Convenção que assegura o depoimento de forma especializada a crianças e adolescentes”, afirma o coordenador de programas da Childhood Brasil, Itamar Batista, um dos coordenadores da produção do livro Depoimento sem medo (?), que oferece um panorama mundial das experiências para a tomada de depoimento em condições especiais


A humanização do depoimento

Não há um padrão para que a tomada de depoimento de meninos e meninas seja feita de forma especial e, com isso, as metodologias variam de país a país e até dentro de um mesmo território. No entanto, as várias iniciativas parecem convergir para a necessidade de oferecer um ambiente mais acolhedor para que as crianças possam falar. “Normalmente crianças abusadas sexualmente estão traumatizadas por sua experiência. Elas estão desconfiadas, ameaçadas pelos abusadores e não acreditam mais nos adultos. Então, tentamos, antes de tudo, criar um ambiente em que ela se sinta segura e confiante”, afirma Tony Butler, psicólogo forense e comandante aposentado da Polícia do Constabulário de Gloucestershire, na Inglaterra.

Dessa forma, é cada vez mais comum que a criança ou adolescente seja ouvida numa sala separada, com o auxílio de um profissional especializado, que faz a mediação entre a vítima e os outros atores envolvidos no processo de investigação ou julgamento do crime. Essas pessoas assistem a conversa por meio de transmissão simultânea ou com o auxílio de falsos espelhos (ver quadro Experiências).

“Na forma tradicional, a criança chegava num ambiente com vários adultos. Mas numa sala especial, com um profissional preparado, ela pode ser acolhida de forma diferente. Além disso, o fato de ela não se encontrar com o réu na sala de audiência é muito tranquilizador”, conta a psicóloga da 1ª Vara da Infância e da Juventude de Porto Alegre, Betina Tabajaski. De acordo com a especialista, o mediador dessa conversa tem de avaliar se a criança tem condições emocionais para falar, além de deixar claro que aquela conversa é um depoimento, que será usado no processo. “Um profissional capacitado não vai insistir em nenhuma situação. Se a criança não puder falar, ela não fala”, afirma.

Uma das preocupações também é garantir que a fala da criança ou adolescente gere provas confiáveis, sem que ela seja pressionada. Nesse sentido, um dos métodos mais usados para se fazer o depoimento é a entrevista cognitiva, adotada em países como o Brasil, Argentina e Inglaterra. Nela, o entrevistador evita direcionar as respostas da testemunha, que tem um maior controle sobre conversa. “Perguntas múltiplas e fechadas podem induzir a criança. Então, é fundamental fazer questões abertas e deixar o relato mais livre, permitindo que a criança fale de acordo com suas lembranças”, explica a psicóloga.

Número de depoimentos

Outro aspecto que precisa ser considerado é o número de vezes que a vítima precisa depor, pois tocar no assunto quase sempre remete a lembranças e situações traumáticas. Em países como a Inglaterra, onde já está implantado o depoimento especial para crianças e adolescentes, elas precisam falar apenas duas vezes: na Polícia, onde o depoimento é gravado em vídeo, e no julgamento, caso o juiz considere necessário.

Já no Brasil, isso pode variar bastante segundo as práticas adotadas em cada localidade. De maneira geral, a criança vítima de violência tem de relatar o ocorrido no Conselho Tutelar, órgão responsável por receber denúncias de violência sexual; na Delegacia Especializada, para a abertura do inquérito; no Instituto Médico Legal, que faz o laudo médico; e, finalmente, na Justiça da Infância e da Juventude, quando fala para o juiz. A diferença é que, nos estados onde o depoimento especial já foi implementado, sua fala para a Justiça é gravada. Com isso, a criança pode ser dispensada de depor em outros momentos do processo judicial ou até mesmo se um novo julgamento for solicitado, em função de um recurso do réu.

O uso do vídeo

Além de ser importante para reduzir o número de vezes que a criança ou o adolescente terá de falar, a gravação em vídeo também confere, ao depoimento, uma maior credibilidade como evidência judicial. De acordo com o juiz Daltoé Cezar, esse recurso conserva o relato com uma maior riqueza de detalhes do que outras formas de registro. “Mesmo quando se grava o áudio e não se perde nada da fala da pessoa, outras coisas se perdem. Um olhar, um gesto, uma lágrima, tudo aquilo que pode informar o juiz na hora do julgamento está ali no vídeo”, explica o magistrado.

Segundo o ex-policial inglês Tony Butler, com o uso do vídeo é possível, inclusive, verificar se a entrevista foi realizada adequadamente. “Ouvir as perguntas é tão importante quanto ouvir as respostas”, destaca. Entretanto, ele também chama a atenção para o fato de que a qualidade da prova depende da agilidade em se tomar o depoimento. “É do interesse da Justiça assegurar que as crianças possam dar suas evidências o mais rápido possível depois do acontecido, reduzindo assim dificuldades com a memória”, afirma.

Controvérsias

Embora exista um amplo movimento para promover condições mais humanas nos depoimentos de meninos ou meninas, alguns aspectos da discussão não são consensuais. No Brasil, por exemplo, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) se posiciona contra o fato de psicólogos participarem da tomada de depoimento especial. Para a conselheira da instituição, Iolete Ribeiro, isso pode causar uma confusão entre o papel da psicologia e o papel da Justiça no enfrentamento da violência sexual. “Tomar um depoimento não é função do psicólogo. Além disso, a noção de ‘verdade’ na psicologia é diferente da noção na Justiça”, afirma.

O magistrado Daltoé Cezar assegura, contudo, que em nenhum momento o psicólogo participa das sentenças produzidas a partir do depoimento especial. “O psicólogo é um facilitador, usando as técnicas da entrevista cognitiva. Mas quem decide sobre a verdade ou não é o juiz, que sabe o espaço que está ocupando e não transfere essa responsabilidade”, argumenta. Segundo o juiz, os psicólogos e assistentes sociais são, atualmente, os profissionais mais capacitados para lidar com crianças em diversos Fóruns do país. Entretanto, ele não exclui a possibilidade de que pessoas com outras formações possam participar da tomada de depoimento, desde que sejam preparadas para isso. “Na Argentina é psicólogo, na Inglaterra são policiais com a formação em assistência social e, em Cuba, são oficiais de proteção da infância com capacitação específica para fazer essa entrevista”, exemplifica.

Iolete Ribeiro também lembra da necessidade de sempre se respeitar a decisão da criança ou adolescente, que pode optar por depor ou não. Para ela, é fundamental que o debate sobre o depoimento especial não se sobreponha a uma discussão mais ampla sobre a prevenção e o enfrentamento da violência sexual, que deve considerar, em primeiro lugar, o bem estar de meninos e meninas e a recuperação daqueles que foram vítimas de algum crime desse tipo.

Na opinião da oficial de projetos da área de Proteção à Infância do Unicef Brasil, Helena Oliveira, é importante que as discussões sobre o depoimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual avancem sem que os envolvidos com a questão tomem posições polarizadas. “Devemos pensar na possibilidade de inquéritos judiciais em que de fato se faça um trabalho interdisciplinar. É preciso ouvir as experiências e as propostas dos diferentes atores envolvidos na discussão: o psicólogo, o assistente social, a família, o poder judiciário e o executivo”, declara.

Expediente: Supervisão: Daniel Oliveira


Reportagem e Redação: Carlos Jáuregui


Edição: Adriano Guerra e Carolina Silveira


Contato:

artigo34@andi.org.br


Experiências


Brasil

Inicialmente desenvolvida pela Vara da Infância e da Juventude de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, a prática do depoimento especial tem se disseminado pelo país. Ele é normalmente realizado por um assistente social e um psicólogo, numa sala especial dentro do próprio Fórum, onde é gravado e simultaneamente transmitido para a sala de audiência.

Argentina

Durante a investigação policial, o depoimento é realizado por um psicólogo especializado, numa Câmara de Gessel – sala projetada para ser observada através de falsos espelhos –, onde também é gravado em vídeo. Caso seja necessário, o depoimento pode ser feito mais uma vez, na fase de julgamento.

Inglaterra

O depoimento é realizado por um policial especializado em um ambiente especialmente preparado. Embora seja gravado na fase da investigação, pode ser necessário que a criança volte a falar na fase judicial, para responder perguntas sobre o primeiro depoimento.

Fonte: Depoimento sem medo (?). Coordenação Benedito Rodrigues e Itamar Batista Gonçalves. São Paulo: Childhood Brasil, 2009.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Justiça tira guarda de pais que deram nomes nazistas aos filhos nos EUA

05/08/2010 - 15:42

Pedro Aguiar

A Justiça dos Estado negou a guarda dos três filhos a um casal de Nova Jérsei que os batizou com nomes nazistas, noticiou a agência de notícias norte-americana Associated Press.

A decisão foi tomada nesta quinta-feira (5/8) por um tribunal de apelações do estado da costa leste, depois que a guarda de Adolf Hitler Campbell, JoyceLynn Aryan Nation Campbell e Honszlynn Himmler Jeannie Campbell já tinha sido retirada dos pais, Heath e Deborah Campbell, pela vara de família da Justiça estadual.
          Heath Campbell com a filha, JoyceLynn Aryan Nation, no colo, em foto de 2008

O tribunal alegou que havia provas suficientes de que as crianças sofriam "riscos iminentes" e as três foram colocadas sob os cuidados de um orfanato. Heath afirma que um vizinho e uma ex-mulher fizeram denúncias de abusos e maus tratos contra ele, que alega serem falsas.

O casal ainda pode recorrer da sentença.

A polêmica veio a público em dezembro de 2008, quando o casal procurou encomendou a um supermercado um bolo de aniversário com o nome do filho Adolf Hitler, o que a empresa se recusou a fazer. Na época, o casal escreveu para a imprensa fazendo queixa, mas acabou voltando a opinião pública de Nova Jérsei contra eles mesmos.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Acolhimento Institucional : Fiscalização em Santa Catarina( Brasil)

Fico muito feliz quando vejo iniciativas de fiscalização em abrigos como esta no Estado de Santa Catarina.
Creio que poderemos melhorar muito o sistema de acolhimento de crianças no Brasil se esta fiscalização for realizada em todo o país.
Há muitas casas que infelizmente não mantém condições mínimas para o acolhimento e uma fiscalização acompanhada de providências pontuais, seria adequada neste momento no Brasil.
Acredito que no Estado de São Paulo há muitas casas precisando de melhorias e outras que precisam ser substituídas.
Ed

• Postado por Rede PIÁ em 3 agosto 2010 às 20:27

Jornal de Santa Catarina
Edição de 02/08/2010
N° 12007

Destaco abaixo as notas publicadas na seção INFORME do Jornal de Santa Catarina de ontem (2), que trata da avaliação das condições em que se encontram crianças e adolescentes abrigados em unidades de acolhimento no Estado de Santa Catarina.

Vistoria (1)

A partir de agosto, os desembargadores catarinenses que integram a Comissão de Estudos para Diagnóstico da Situação das Crianças e Adolescentes Acolhidos vão avaliar as condições em que se encontram crianças e adolescentes abrigados em unidades de acolhimento do Estado. Também serão analisadas as condições físicas das instituições e o andamento dos processos judiciais referentes às crianças abrigadas.

Vistoria (2)

A Comissão foi criada em maio deste ano e tem o objetivo de realizar diagnóstico preliminar e encaminhar soluções que levem à melhoria das condições de acolhimento de crianças e adolescentes em todo o Estado.

A Rede PIÁ entende que é uma iniciativa que vem ao encontro do esforço pelo fortalecimento das políticas públicas de atendimento à criança e ao adolescente inseridas em programas de proteção e antecipadamente cumprimenta o Poder Judiciário de Santa Catarina pela iniciativa.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

21 pessoas são presas em flagrante no Brasil por crimes de pedofilia na internet

FERNANDA TRISOTTO E FERNANDA LEITÓLES

Polícia Federal realizou operação em 54 cidades de nove estados. No Paraná, dois homens foram presos por porte de material pornográfico de crianças.
A Operação Tapete Persa, da Polícia Federal (PF), deflagrada nesta terça-feira (27), bateu o recorde de prisões em flagrante por posse de material pornográfico infantil que era divulgado na internet: 20 pessoas foram presas em cinco estados e no Distrito Federal. A operação aconteceu em 54 cidades de nove estados, onde a polícia deveria cumprir 81 mandados de busca e apreensão. Nesta terça, pelo menos metade dos mandados foi cumprida.
São Paulo lidera o número de prisões, com 13 detidos. No Paraná, dois homens foram presos acusados de posse de material pornográfico infantil. Um homem de 65 anos foi preso em Curitiba, no bairro Campo do Santana, e outro, de 34 anos, foi detido em Campo Mourão, na região Centro-Oeste do estado. As outras prisões aconteceram no Distrito Federal (2), Rio de Janeiro (1),Alagoas (1), Goiás (1) e Espírito Santo (1). De acordo com a PF, entre os presos está um coronel da Polícia Militar e quatro idosos. No Distrito Federal, também foram apreendidas armas ilegais e drogas, como maconha e anabolizantes.

Apesar do grande número de detenções, a PF não considera os dados positivos. “É um marco negativo. Gostaríamos que tivessem menos prisões, ou que não tivessem prisões, porque isso indicaria que as pessoas não praticam esse crime”, lamenta o chefe do Grupo Especial de Combate aos Crimes de Ódio e à Pornografia Infantil na Internet da PF (Gecop),delegado Stênio Santos Souza. Ele também afirma que as imagens compiladas pela PF mostram crianças, até mesmo bebês, sendo abusados. “Isso faz com que a gente sinta que há menos humanidade no mundo hoje que tempos atrás”, diz.
Além das prisões, outras três pessoas já foram indiciadas pela posse do material. Elas só não foram presas porque não estavam em casa quando as equipes da polícia fizeram a vistoria no local. Os peritos da PF também fizeram um levantamento minucioso do conteúdo dos computadores dessas pessoas, que revelaram um dado triste: algumas pessoas, além de compartilhar as imagens, também abusam de crianças. “Cerca de 30% dos presos também são abusadores. São brasileiros, que moram aqui e navegam diariamente na internet”, revela o delegado Marcelo Bórsio, do Gecop.
Se condenados pelos crimes, a pena dessas pessoas pode chegar a 15 anos de reclusão. Além da posse e distribuição do material, eles podem ser processados por estupro de incapaz, caso o abuso seja confirmado.
Operação
As investigações começaram na Alemanha em 2008, com o monitoramento de redes peer-to-peer(P2P), onde foi detectado o compartilhamento de materiais pornográficos infantis. Foi a polícia alemã que estabeleceu a conexão de brasileiros no caso. Com isso, a Polícia Federal começou a investigar a situação no Brasil no primeiro semestre de 2009, com a cooperação da Interpol.
De acordo com a PF, o principal site de compartilhamento utilizado para a troca de imagens pornográficas é o eMule, onde os usuários compartilham os arquivos entre si, mas não há um servidor central que guarde todos esses documentos. A troca é feita com base no material que cada pessoa tem em seu próprio computador. “É impossível derrubar uma rede dessa forma”, diz Souza. 

Os países que mais compartilham arquivos de pornografia infantil são Alemanha, Espanha,Inglaterra e Brasil, mas pelo menos outros 50 países fazem parte dessa rede.
No Brasil, a investigação foi conduzida pela PF do Distrito Federal. Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pela 12ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal. A PF do DF contou com o auxílio de cerca de 400 policiais federais dos nove estados para cumprir os mandados. A operação foi denominada como Tapete Persa porque havia um tapete em alguns vídeos encontrados pela polícia alemã.




Brasileiro é preso no Japão por compartilhar pornografia infantil pelo Emule

PORTALNIPPON.COM


O brasileiro Wilson Hideaki Furukawa Nakatsuji, 38 anos, residente na província de Okayama, foi preso pela polícia de Shizuoka no dia 3 (no dia do Hinamatsuri - o dia das meninas) por suspeita de distribuir conteúdo de pornografia infantil pelo Emule (programa de compartilhamento e destruição de arquivos pela internet).
Junto com o brasileiro foram presos outros dois japoneses residentes da província de Osaka, também pelo motivo de compartilhamento de pornografia pela internet.
A polícia de Shizuoka criou uma equipe desde julho do ano passado chamado de Cyber Patrol - Saiba Patororu サイバーパトロル - para fazer a varredura de compartilhamento de arquivos ilegais pela internet.
Segundo a polícia, o brasileiro foi preso em flagrante e é a primeira vez que alguém é preso por esse tipo de crime na província de Shizuoka.