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segunda-feira, 22 de março de 2010

Começa o Julgamento dos pais de Isabella Nardoni em São Paulo - Brasil

22/03/2010 - 19h37


Mãe de Isabella chora e relata ciúmes da madrasta; júri será retomado nesta terça

Rosanne D'Agostino

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella, chegou por volta das 11h15 ao fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, para o julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá

No único depoimento de testemunha realizado nesta segunda-feira (22) durante o júri popular do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, a mãe de Isabella Nardoni, Ana Carolina Oliveira, chorou por pelo menos três vezes, provocou o choro de ambos os réus e relatou o amor de Alexandre pela filha e o ciúme que a madrasta teria da relação do marido com a menina e com sua ex-mulher.

O depoimento começou por volta das 19h30 e terminou às 21h50 e foi tomado pelo juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri do Fórum de Santana, no julgamento que irá decidir se pai e madrasta de Isabella -- que morreu ao cair do 6º andar do Edifício London, zona norte de São Paulo em 2008-- é culpado ou inocente da morte da menina.

O júri foi interrompido após o depoimento de Oliveira e deve ser retomado nesta terça-feira (23), a partir das 9h com outras testemunhas de acusação.

Manifestações e vaias ao redor de fórum

Segundo Ana Oliveira, haveria uma disputa de Jatobá pela atenção de Alexandre em relação à menina Isabella. Ana Oliveira evitou citar o nome da madrasta, se referindo a ela apenas como "Jatobá" na maior parte das vezes.

Ainda de acordo com Oliveira, haveria uma disputa da madrasta pela atenção de Alexandre em relação à menina Isabella. "A mãe dele contava para a minha mãe que ela tinha ciúme da Isabella, que ela disputava a atenção dele com ela.

De acordo com Oliveira, na presença de Jatobá, Alexandre Nardoni tinha um comportamento diferente. "Quando ela não ia com ele [Alexandre] buscar a Isabella, o comportamento era completamente diferente". Ana Carolina disse, porém, que Alexandre ligava para Isabella apenas durante a semana. "Ela [Isabella] não funcionava em horário comercial."

Oliveira é considerada a testemunha-chave da acusação no julgamento. Ela chegou de carro e entrou por uma entrada lateral do fórum, acompanhada pelo pai, José Arcanjo de Oliveira, e pela advogada, Cristina Christo Leite, que também é assistente de acusação no caso.

“Ana, que conhece melhor do que ninguém os protagonistas de tudo isso, conviveu durante um tempo com um dos réus [Alexandre]. Depois, com a outra ré, também teve contato [Anna Jatobá]. Ela conhece bem toda a história de vida dessas pessoas", afirmou o promotor na semana passada.

"E ela, conhecendo e sabendo detalhes de cada um, estabeleceu a sua própria verdade, que é a nossa verdade. Então, ela apoia a tese da Promotoria. A sua opinião é de que aconteceu tudo que eu descrevi na denúncia e é por isso que ela está arrolada também como uma testemunha desse processo.”

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá são julgados pela morte da menina por quatro mulheres e três homens, que foram escolhidos nesta tarde para compor o Conselho de Sentença. Desses sete, cinco nunca participaram de um júri.

Por isso, por volta das 18h, os cinco novatos receberam esclarecimentos sobre como funciona um júri popular por parte do juiz Maurício Fossen.

Houve uma recusa de um jurado por parte da defesa e outra por parte da acusação, ambas de mulheres.

Antes do sorteio dos jurados, a defesa do casal fez requerimentos para adiar o júri e realizar diligências. Todos foram negados pelo juiz Maurício Fossen, que preside o julgamento.

Nardoni e Jatobá entraram juntos hoje na sala do tribunal que irá julgá-los. Esta foi a primeira vez que eles se encontram desde que foram interrogados, em maio de 2008.

Jatobá veste uma blusa rosa e calça um sapato baixo. Nardoni está com uma camiseta branca, com uma faixa azul, e calça um tênis. Ambos vestem calça jeans. A Justiça não permite a presença de fotógrafos nem de cinegrafistas no local do julgamento.

Os dois negam as acusações e se dizem inocentes. A estimativa do tribunal é de que o julgamento dure até cinco dias.

Plateia reveza senhas para assistir ao júri dos Nardoni

Os curiosos que chegaram ao Fórum de Santana para assistir ao júri estão dividindo suas senhas. Uma das interessadas, estudante de direito, e que não quis se identificar, aguardava sua vez de entrar no plenário. "Estou dividindo essa senha com cinco pessoas", contou ao UOL Notícias.

Entenda o julgamento

O júri deve contar com um vídeo contendo a simulação do crime e uma maquete do edifício, trazidos pela Promotoria, e com objetos encontrados no apartamento e outros, como a tela de proteção da janela, requeridos pela defesa.

O promotor do caso, Francisco Cembranelli, defende que Isabella foi jogada pela janela do 6º andar do Edifício London pelo pai. Antes, teria sido esganada pela madrasta e agredida por ambos. Já a defesa do casal insiste na tese de que havia uma terceira pessoa no prédio.



O advogado Ricardo Martins, que defende o casal junto com o advogado Roberto Podval, disse hoje não ter dúvidas da absolvição de seus clientes. “Eles serão absolvidos com certeza. Não há nenhuma prova que ligue o casal a este crime. Não há nenhuma perícia crucial, como o próprio promotor admitiu há poucos dias do júri. Além disso, há inúmeros falhas nesse processo", afirmou.



Para Martins, a cobertura da imprensa sobre o caso pode influenciar na decisão do júri. “Eu estou certo de que se os jurados estiverem dispostos a ouvir as provas eles vão absolver. Agora, se vierem pensando só no que a imprensa tem dito ao longo desse tempo todo, aí até eu teria um monte de dúvidas”. Questionado se há hipótese de o casal confessar o crime, o advogado disse que é impossível. “O casal não irá confessar algo que não fez."

Chegada ao Fórum

O comboio policial que transportava Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá chegou à capital paulista por volta de 8h20, depois de deixar a cidade de Tremembé, no interior de São Paulo. O casal foi levado para o Fórum de Santana, na zona norte, onde acontece o julgamento, e ficou em salas separadas na ala da carceragem do prédio.



Tudo sobre o julgamento

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella, são acusados de homicídio doloso

Anna Carolina saiu da penitenciária feminina de Tremembé por volta das 6h20. Os policiais passaram, em seguida, na penitenciária onde estava Alexandre Nardoni. Eles seguiram em carros separados da Polícia Militar, pela rodovia Carvalho Pinto.



Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella, o promotor Cembranelli, Antônio e Cristiane Nardoni, respectivamente pai e irmã de Alexandre, também chegaram ao fórum durante a manhã. Eles não falaram com a imprensa.



O pedreiro Gabriel Santos Neto, que trabalhava na obra vizinha ao Edifício London, foi localizado pela Justiça e chegou ao Fórum de Santana por volta das 10h30 de hoje. Ele era a única testemunha arrolada pela defesa que não havia sido intimada para participar do julgamento. A hipótese de que os advogados de defesa poderiam apresentar motivos para suspender o júri se torna pouco provável com a presença do pedreiro.



Uma das faixas da avenida Engenheiro Caetano Álvares está interditada desde as 18h de domingo, onde fica o Fórum de Santana. Um esquema rígido de segurança foi adotado em razão do clamor público do caso.

A transmissão do julgamento está proibida.

Veja a seguir o plenário onde ocorrerá o júri e quem é quem no infográfico:

Entenda como funciona o Tribunal do Júri

Ao final dos depoimentos de todas as testemunhas, dos debates, das apresentações da defesa e a acusação, o júri se reúne em uma sala secreta para responder a quesitos formulados pelo juiz. Eles decidirão se o casal cometeu o crime, se pode ser considerado culpado pela atitude, e se há agravantes ou atenuantes, como ser réu primário. De posse do veredicto, Maurício Fossen irá dosar a pena com base no Código Penal. Se houver absolvição, os Nardoni deixam o tribunal livres.

Saiba mais sobre os procedimentos adotados para este julgamento:

Alexandre e Anna Jatobá foram transferidos de presídios de Tremembé (a 138 km de SP), onde estão presos, até o Fórum de Santana, sob esquema de segurança especial

Os réus ficam na carceragem do fórum até a hora do julgamento

Iniciada a sessão, são sorteados sete jurados que comporão o Conselho de Sentença. Em seguida, o plenário é aberto à imprensa

O júri popular deve durar pelo menos três dias. O juiz Maurício Fossen, que preside o julgamento, reservou o plenário por uma semana

Enquanto não são ouvidas, as testemunhas aguardam no fórum. Podem ter que dormir no próprio fórum, no Fórum da Barra Funda, zona oeste, ou em um hotel. Depois, são dispensadas

Os jurados permanecem confinados até o final do julgamento no fórum, onde há dormitórios e refeitórios

O casal deve dormir em unidades prisionais na capital, ainda a serem definidas

Estão envolvidos no julgamento 23 funcionários do cartório do júri, 12 agentes de fiscalização, dois médicos, uma enfermeira, três estenotipistas (que transcrevem as falas), 16 oficiais de justiça, três funcionários da administração, quatro da copa e cinco assessores de imprensa

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