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sexta-feira, 29 de março de 2013

Resiliência: Ponto Forte dos Pequeninos

Que fatores influenciam as pessoas na infância para fazê-las agirem da forma que agem quando adultas? Será possível prever quais características nas crianças poderiam protegê-las contra as adversidades da vida?
O estudo mais famoso e relevante sobre o que passou a ser conhecido como resiliência foi conduzido pela pesquisadora norte-americana Emmy Werner. Foi um estudo longitudinal que acompanhou todas as 698 crianças da ilha Kauai, Hawai, nascidas no ano de 1955 até os 40 anos.

Resultados surpreendentes

“Aproximadamente 30% dos sobreviventes na nossa população estudada nasceram e foram criados em pobreza; experimentaram complicações pré ou pós natais; viveram em famílias marcadas por discórdia, divórcio ou patologias mentais presentes nos pais; e foram criados por mães com menos de 8 anos de escolaridade. Dois terços (2/3) destas crianças, que tinham experimentado pelo menos 4 destes fatores de risco até os 2 anos de idade, apresentaram dificuldades de aprendizado ou problemas comportamentais ao chegarem aos 10, ou tiveram relatos de delinquência e/ou doenças mentais ao chegarem aos 18 anos.

No entanto, uma em cada três crianças se transformaram em adultos confiantes, competentes e afetuosos. Eles não desenvolveram problemas de comportamento ou aprendizado durante a infância ou adolescência. Eles foram bem sucedidos na escola, lidaram com suas situações domésticas e sociais de forma adequada, estabeleceram alvos educacionais e profissionais para si mesmos. Ao chegarem na idade de 40 anos, nenhum deles estava desempregado, nenhum tinha entrado em conflito com a lei, e nenhum deles precisava de ajuda do governo para se manterem (…) O nível de realização educacional ou profissional deles era igual ou até maior do que o de outras crianças provenientes de situações econômicas e familiares mais estáveis.”*

Fatores que geram resiliência

O segredo destas crianças que se tornaram adultos bem sucedidos a despeito da adversidade passou a ser o objeto maior de investigação, deste e muitos outros que o sucederam. Resiliência, no campo da psicologia, passou a definir a capacidade de recuperação pessoal sem deformações de situações adversas. Pessoas resilientes têm a capacidade de resistir, de não serem destruídos diante de situações dolorosas. Elas têm também a capacidade de construir apesar e a partir da própria adversidade.

A grande notícia é que, ainda que permaneça meio misteriosa, já sabemos o suficiente sobre resiliência para podermos ajudar as crianças a desenvolvê-la. Quais são as crianças melhor preparadas para superar a adversidade?

- Crianças inseridas em redes de apoio social e que contam com uma aceitação incondicional por pelo menos uma pessoa importante em sua vida;
- Crianças que conseguem descobrir um sentido maior da vida e que têm uma estreita ligação com a vida espiritual e a fé religiosa;
- Crianças que conseguem desenvolver habilidades sociais e a capacidade de resolver problemas, e que acreditam ter algum controle sobre a própria vida;
- Crianças cuja auto-estima é positiva, que fazem uma avaliação afirmativa de si mesmas;
- Crianças com um bom senso de humor.

Com certeza essa lista não está completa mas já nos ajuda a preparar nossas crianças para que cheguem à fase adulta de forma saudável e bem sucedida.

*Trecho traduzido do artigo “Resilience and Recovery: Findings from the Kauai Longitudinal Study” publicado em 2005 por The Research and Training Center on Family Support and Children’s Mental Health, Portland, OR.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

"Caixa de correio" para abandonar bebês ajuda a salvar vidas na Áustria

http://www.empowernetwork.com/truestory.php?id=butmoney
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As "babyklappe", "caixas de correio" para entregar bebês em condições seguras, completam dez anos de existência na Áustria como um dos instrumentos, junto ao parto anônimo, para evitar o abandono descontrolado e inclusive o homicídio de recém-nascidos.


Estas caixas de correio permitem abandonar crianças, mas com mais garantias médicas para os bebês e jurídica para as mães.

Em 2001, uma modificação legal descriminalizou o abandono de crianças nestes "ninhos" e permitiu que as mulheres dessem à luz sem revelar sua identidade e entregar seus filhos.

Desde então, 15 hospitais austríacos iniciaram estes "babynest", e na maioria das grandes clínicas é oferecida assessoria e atendimento médico para um parto anônimo.

No total, 29 crianças, delas 21 em Viena, foram deixadas nestes "babynest" desde 2001. Quanto ao número de partos anônimos, as estatísticas nacionais registram 249 casos até 2008.

Para o doutor Andreas Lischka, autor primeiro do projeto de "babyklappe" austríaco e chefe de pediatria do Wilhelminenspital, o único hospital de Viena com este serviço, "a ideia é que a mãe, após o parto, em seu desespero total pelo motivo que for, possa contar com uma possibilidade legal para não abandonar a criança em uma lata de lixo a cinco graus abaixo de zero", resume o médico.

A "babyklappe" de Viena é um pequeno quarto que conta com um berço climatizado e vigiado por uma câmera. Ao abrir a janela do cômodo, soa um alarme na unidade de terapia intensiva da pediatria para avisar a equipe médica, que em poucos minutos retira acriança.

A pessoa que entrega o bebê, cujo rosto fica sempre oculto, encontra uma carta em oito idiomas que explica como entrar em contato com o hospital e um selo de tinta para tirar a impressão digital do recém-nascido, um "documento" útil caso a criança seja adotada.

Uma vez fechada a janela, uma tranca eletrônica impede que possa ser aberta novamente até a equipe médica chegar.

Lischka considera este serviço como "o último passo de uma rede de proteção" cujos primeiros níveis seriam a educação sexual, para evitar uma gravidez não desejada, e o parto anônimo.

A medida também é apoiada por Christa Pletz, do centro sobre parto anônimo do estado de Estíria, que considera que a "babyklappe" não faz sentido sem a segurança e confidencialidade que o parto anônimo oferece.

Os dois serviços surgiram juntos em um momento em que os homicídios de recém-nascidos aumentaram, relata Pletzt. Segundo o especialista, o número de homicídios de recém-nascidos caiu 50% entre 2002 e 2005 com o parto anônimo e o "babynest" já funcionando, de acordo com um relatório realizado pela psiquiatra Claudia Klier em 2009.

Pletz também destaca a necessidade de se entender que o parto anônimo pode ser uma demonstração do amor, quando uma mãe consciente de que não pode cuidar do bebê, decide entregá-lo à adoção.

A recuperação das crianças é possível, sempre que o processo de adoção não tiver sido concluído e que a Proteção do menor, responsável pelas crianças após seu abandono ou entrega, confirme a identidade das mães e decida que elas estão capacitadas para cuidar das crianças.

Vários hospitais da Áustria não quiseram instalar o serviço alegando que a "babyklappe" não garante que o parto seja feito em condições de segurança e atendimento que a mãe e o bebê precisam.